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sábado, 13 de junho de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
A origem da gripe suína.
A gripe dos porcos e a mentira dos homens
Mauro Santayana
Publicado no Jornal do Brasil
O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.
Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.
O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.
Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.
As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada "ação social". Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.
O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.
Mauro Santayana é jornalista
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O problema é sério, eu sei. Mas, quando li esse texto lembrei na hora do porco-aranha. Teria Abrahan Simpson realmente previsto isso???
Mauro Santayana
Publicado no Jornal do Brasil
O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.
Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.
O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.
Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.
As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada "ação social". Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.
O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.
Mauro Santayana é jornalista
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O problema é sério, eu sei. Mas, quando li esse texto lembrei na hora do porco-aranha. Teria Abrahan Simpson realmente previsto isso???
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sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Isso sim é ciência.

Saiu o resultado do mais recente Prêmio IgNobel. Trata-se de uma sátira ao renomado Prêmio Nobel. Ao invés de premiar as descobertas que irão revolucionar (ou revolucionaram) nossas vidas, entregam-se troféus, em forma de galinha, àqueles que tiveram as idéias mais estúpidas do ano.
Abaixo os vencedores desse ano:
- Aviação: Patricia V. Agostino, Santiago A. Plano e Diego A. Golombek, por descobrir que hamsters se recuperam mais rapidamente do jetlag quando ingerem Viagra.
- Biologia: Johanna E.M.H. van Bronswijk, pelo censo das formas de vida que existem em uma cama, como insetos, aranhas, crustáceos, bactérias, algas, fungos, entre outros.
- Química: Mayu Yamamoto por extrair baunilha de esterco de vaca.
- Economia: Kuo Cheng Hsieh, por patentear em 2001 um dispositivo que prende ladrões jogando uma rede sobre eles.
- Lingüística: Juan Manuel Toro, Josep B. Trobalon and Nuria Sebastian-Galles, pela descoberta de que ratos não conseguem distinguir holandês de japonês – se as línguas foram pronunciadas ao contrário.
- Literatura: Glenda Browne, pelo estudo da palavra “the” (artigo definido- “o”, “a”, “os” e “as”).
- Medicina: Dan Meyer e Brian Witcombe, por investigar os efeitos colaterais de engolir espadas.
- Nutrição: Brian Wansink, por estudar o apetite humano servindo sopa a seus voluntários em pratos sem fundo que permaneciam sempre cheios.
- Paz: A Air Force Wright Laboratory (Laboratório das Forças Aéreas) em Dayton, Ohio, por pesquisar o desenvolvimento de uma “Bomba Gay”, que provocaria atração sexual nas tropas inimigas.
- Física: L. Mahadevan and Enrique Cerda Villablanca por estudar como os lençóis amassam.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Isso é ciência???
Enquanto avança-se nas pesquisas para cura da AIDS, descobre-se que o buraco da camada de ozônio está dimin
uindo (30% em relação a 2006) e que célula-tronco pode piorar câncer de mama... qual pesquisa aparece em todo tipo de publicação e site de notícia??? “Pesquisa confirma que mulheres preferem cor de rosa e homens azul.”
E as outras notícias anteriormente mencionadas? Uma notinha, escondidinha.
Supondo que a tal pesquisa fosse realmente verdadeira (o que deveria ser contestado), ela é realmente mais importante que as demais? Por que seria? A quem interessa que essa matéria tenha destaque em detrimento de outras que nos influenciariam mais?
Fora que a pesquisa deixa muito a desejar. Não leva em conta a possibilidade de que essa suposta preferência advém, na verdade, de uma construção social. Desde que nasce, as meninas são vestidas com tons rosas e meninos azuis, isso não causaria, com o passar do tempo, uma assimilação de que homens usam azul e mulheres rosa?
Outra pesquisa de cunho “científico” (!!!!!!!!) é a de que mulheres se orientam melhor que homens em supermercados . Garanto a qualquer um que se um homem que mora sozinho competisse comigo, ele acharia tudo beeeeeem mais rápido do que eu. Hábito não é o mesmo que ser geneticamente predisposto(a) a algo. Além disso, não se pode comprovar que só porque no passado as mulheres coletavam os alimentos, hoje saberiam localizar em um supermercado os mesmos. Por acaso, o fato de mulheres usarem, hoje em dia, mais salto alto do que homens poderia, também, ser justificado pela Antropologia e pela Psicologia???(lembrem-se que o salto foi, na realidade, criado por um homem).
É bom que estejamos cada vez mais céticos a respeitos dessas chamadas pesquisas. Vale recordar que o Holocausto era “cientificamente” justificado.
uindo (30% em relação a 2006) e que célula-tronco pode piorar câncer de mama... qual pesquisa aparece em todo tipo de publicação e site de notícia??? “Pesquisa confirma que mulheres preferem cor de rosa e homens azul.”E as outras notícias anteriormente mencionadas? Uma notinha, escondidinha.
Supondo que a tal pesquisa fosse realmente verdadeira (o que deveria ser contestado), ela é realmente mais importante que as demais? Por que seria? A quem interessa que essa matéria tenha destaque em detrimento de outras que nos influenciariam mais?
Fora que a pesquisa deixa muito a desejar. Não leva em conta a possibilidade de que essa suposta preferência advém, na verdade, de uma construção social. Desde que nasce, as meninas são vestidas com tons rosas e meninos azuis, isso não causaria, com o passar do tempo, uma assimilação de que homens usam azul e mulheres rosa?

Outra pesquisa de cunho “científico” (!!!!!!!!) é a de que mulheres se orientam melhor que homens em supermercados . Garanto a qualquer um que se um homem que mora sozinho competisse comigo, ele acharia tudo beeeeeem mais rápido do que eu. Hábito não é o mesmo que ser geneticamente predisposto(a) a algo. Além disso, não se pode comprovar que só porque no passado as mulheres coletavam os alimentos, hoje saberiam localizar em um supermercado os mesmos. Por acaso, o fato de mulheres usarem, hoje em dia, mais salto alto do que homens poderia, também, ser justificado pela Antropologia e pela Psicologia???(lembrem-se que o salto foi, na realidade, criado por um homem).
É bom que estejamos cada vez mais céticos a respeitos dessas chamadas pesquisas. Vale recordar que o Holocausto era “cientificamente” justificado.
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